Rádio Vilardevoz, mudando a intervenção psiquiátrica

Radio Vilardevoz é um projeto cooperativo que nasceu com uma missão: dar a palavra àqueles que não costumam tê-lo. O projeto foi desenvolvido desde 1997 no hospital psiquiátrico Vilardebó, que opera em Montevidéu, no Uruguai. Da mesma forma, a ideia principal é possibilitar um espaço para pessoas com condições psiquiátricas sob um modelo de reabilitação.

O rádio é autogerenciado e transmitido por modulação de frequência. Mas o mais interessante é o eixo da sua missão, reabilitação e reintegração social de um espaço de produção de significado.

É dirigido por professores da faculdade de psicologia da UDELAR no Uruguai e tem inúmeras atividades e oficinas. Os protagonistas destacam-se pelo seu empenho e coragem, elevando sua voz em uma sociedade e conjunto de instituições que tendem a marginalizá-los.

A experiência de rádio

A rádio Vilardevoz é um dispositivo que opera desde 1997 dentro do hospital, mas de forma independente. Entre seus participantes estão pacientes internados, outros que já receberam alta, pacientes ambulatoriais e familiares de pacientes. Desse espaço, as reivindicações dos sujeitos sobre:

  • Desorganização. O coletivo de rádio se manifesta contra a segregação gerada pela visão de asilo.
  • Intervenções abusivo. Muitas das intervenções padronizadas no ambiente de asilo são abusivas. Entre eles, a terapia pode ser destacada eletroconvulsivo, medicação excessiva e abuso por funcionários.
  • Integração Social. Os membros do rádio demonstram contra a exclusão e exigem maior aceitação pelo resto da sociedade.

Figuras de papel unidas para representar o conceito de altruísmo

Organização de rádio de Vilardevoz

A produção comunicacional do rádio ocorre em vários níveis, organizando-se em oficinas que se articulam. O objetivo desses workshops é produzir e também ensinar. Entre os principais podemos destacar:

  • Central. Reunião principal, participação e espaço de endereços. Aqui as decisões são tomadas e os objetivos são definidos.
  • Produção radial. Espaço de treinamento e produção para o conteúdo a ser transmitido no ar.
  • Digitalização. Espaço onde as produções de rádio são digitalizadas, para serem publicadas em várias mídias.
  • Escrita. Espaço de produção escrito para conteúdo de rádio e mídia.

A experiência da fonoplatia

A fonoplatea consiste em um espaço onde o programa de rádio é transmitido ao vivo e com um público. Uma vez por semana, os participantes, pacientes, convidados e profissionais de saúde encontram-se no espaço a partir do qual a transmissão é realizada. Neste espaço existem várias dinâmicas, planejadas e espontâneas.

Muitos pacientes vêm para participar com conteúdo produzido durante a semana. O conteúdo é geralmente poético, musical, brincalhão ou de discussão. Uma das principais novidades do dispositivo é a participação do público que atende a fonoplatea.

A dinâmica do pátio

Como a fonotopéia é um espaço que requer organização e silêncio estruturados, ao mesmo tempo no pátio há uma dinâmica mais flexível.

No pátio, há participantes, coordenadores e estagiários. É um espaço de encontro livre, mas com dinâmicas de jogo, produção e troca. Ocasionalmente, o material que vai ao ar é produzido e colocado em prática no pátio.

Loucura no ar, o filme

O projeto sócio-comunitário da rádio Vilardevoz adquiriu tal relevância que em 2018 um filme foi lançado sobre isso.

A produção que ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais, recontando as principais experiências dentro da rádio e dinâmica possibilita a reabilitação de seus participantes. Finalmente, um aspecto importante do grupo é que ele não nega a sua situação ao nível da saúde mental, mas afirma-o.

Laços internacionais

A rádio Vilardevoz tem sido uma referência em termos de dinâmica de intervenção. Da mesma forma, a rádio e seus participantes viajaram para trocar experiências e fortalecer laços com outros rádios similares características como o Rádio Aberto da Universidade Metropolitana Autônoma do México.

Transmissor de rádio

Lutar por uma lei de falta de confiança

No Uruguai, como em tantos outros países, as abordagens de saúde mental têm sido historicamente por meio de internação, isolamento e medicação.

O rádio foi acoplado ao objetivo de fechar hospitais psiquiátricos até 2025; Tem sido a voz do grupo de pacientes diante das instituições que moldaram o novo projeto de lei.

Esta lei, embora busque a desmanicomialização, tem vários pontos para melhorar. Uma delas é a criação de um sistema de transição que proteja as pessoas que atualmente hospedam hospitais.

Para isso, a criação de lares adotivos, residências de apoio e a participação de outros centros de saúde. Todos os agentes no processo têm grandes esperanças para a evolução de novas implementações, dado que o prazo é 2025.

A participação da universidade

A rádio Vilardevoz conta com a participação da Universidade da República Oriental do Uruguai. Assim, há um estágio curricular para estudantes de psicologia.

Em cada reunião você pode ver a participação dos alunos, que têm uma abordagem à prática clínica através de um dispositivo de integração. Além disso, a direção da rádio está a cargo das professoras Cecilia Baroni e Mónica Giordano.

Esta rádio é um modelo em direitos humanos e integração social. Em um ambiente onde a diversidade reina, a "loucura" não é um tabu e é expressa na forma de poesia, música e reivindicações.. Essa experiência mostra que dar voz àqueles que não o possuem, além de ser terapêutico, permite a luta pelo reconhecimento.

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Fonte